quarta-feira, abril 02, 2014

Foi um pedaço somente
num vislumbre reluzente
que apanhaste curiosa
como quem colhe uma rosa.

Era um estilhaço apenas
com faces de brilho plenas
que observaste na mão
como se uma ilusão.

Que faz isto aqui, soaste?
Silêncio. Atrás deixaste
na paisagem solitária

o objecto ali esquecido
e a sua luz de cor vária.
Fragmento-sonho perdido.

domingo, março 23, 2014

Poderias ser a faísca
da explosão que sobressalta;
trazida pela maré alta
à luz do farol que pisca

ser o mote que se arrisca
neste bote ao qual assalta
essa onda que faz falta,
essa tua centalha arisca.

Poderias ressuscitar
o velho lobo-do-mar
que neste areal aqui jaz

à espera do ribombar
que os mortos faz despertar,
da alma os sais que ele traz.